Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

As Maravilhas Artísticas do Mundo - Ferreira de Castro

O HOMEM E A ARTE DEPOIS DA GRÉCIA

À Russia, a estética do romantismo arribou cedo. E manifestou-se principalmente através de Karl Brullov, retratista e autor de quadros históricos, que assim reagia contra os artistas avassalados pelo neoclassicismo italo-francês ou pelas teorias, não menos nefastas,  dos cândidos nazarenos alemães. Veio depois o realismo e Fedotov, que morreu novo, dedicou-lhe o entusiasmo da sua juventude e todo o seu grande talento. No terreno que lavrou encontrara já algumas pegadas tímidas (...)
A dois passos dali, a Itália, apesar de matriz do classicismo, deixara também que a mediocridade imperasse sobre ela no começo do século XIX, salvo em alguns retratos. Os quadros de Andrea Appiani, tão celebrados nessa época, produzem-nos hoje a mesma sensasão de artificialismo morno, quando não competamente frio, que se recebe em Copenhaga perante as esculturas de Therwaldsen. E, facto bem curioso, o êxito de David, que se formou em Roma, acabara por contagiar os próprios (...)
Do outro lado da França, na Bélgica, por todos havida como muito afanosa e obejctiva, a pintura histórica romântica,  de que Gustav Wappers fora intérprete ardente, coincidira com as realizações de Wiertz, artista poderoso, mas demasiado literário, que se comprazia em pintar enormes telas. Tão enormes que se tornou necessário construir expressamente para ele esse vasto atelier de Bruxelas, hoje transformado em museu (...)
Mas se a escultura oitocentista teve assim quem a resgatasse, o mesmo não sucedeu à arquitectura, à qual faltou uma personalidade genial como a de Rodin. Os mais famosos monumentos do século XIX, como a Igreja da Madalena e o Arco do Triunfo, em Paris, a Porta de Brandeburgo, em Berlim, os Propileus, em Munique, o Museu Britânico, em Londres, são apenas (...)
O neoclassicismo era, então, o maior inimigo dos escultores. E quando se lamenta que António Cânova deixasse, na Itália, o seu génio queimar-se nesse velho lume reaceso, há toda a razão para o fazer, mesmo tendo em conta que o artista valorizou a fogueira com algumas cintilações pessoais. Ao trocar o realismo que dera à figura de Clemente XIV pela sensualidade  helenística, aliciante e saborosa de Paulina Bonaparte (...)
Ao drama de Van Gogh e de Gauguin outro viria liar-se. Abandonando a sua família aristocrática, a velha casa que pompeava em Albi, abastada de tradições, Henry de Toulouse-Lautrec desceu um dia a Paris. Não à Paris do Boulevard Saint-Germain, fidalga como ele, mas a de Montmartre, que era antiaristocrática, revolucionária nas ideias e na Arte --- na Arte à qual logo aderiu. Gauguin e Van Gogh, (...)
Veio a guerra. A guerra franco-alemã de 1870, que levou Monet a dizer adeus a Manet, Degas e Renoir, que partiram para o serviço militar, enquanto ele, Pissarro e Sisley, pouco devotados aos triunfos bélicos, iam exilar-se em Londres. Dir-se-ia que , afastada do meio onde se desenvolveram os seus primeiros germes, longe dos exemplos dos pintores de Barbizon e Honfleur, centro dum outro grupo de paisagistas, longe principalmente de Eugène Boudin e do holandês Jongkind, que ali (...)
Mas nessa centúria a que apetecia sempre novos caminhos, o artista rebelde, que em 1871 se exilaria na Suíça por haver tomado parte na Comuna e no exílio morreu, assistiu, novo ainda, ao ocaso da sua escola. À semelhança da maioria das anteriores, ela não desapareceu com a rapidez do carro fúnebre que dobra uma esquina; foi-se diluindo na seguinte, pouco a pouco, como o Sol que morre na linha do horizonte, mas continuará vivo noutra latitudes. O naturalismo ia alvorecer, ainda sob (...)
Eis, finalmente, a Humanidade no limiar do seu período mais importante desde os primeiros passos que dela conhecemos sobre a Terra, um período que ela própria criou com sofrimento, trabalho e génio. Eis o século XIX, sem paralelo nos milénios anteriores, um século que tudo ansiou transformar, que substituiu as longuidões pretéritas por uma celeridade até aí desconhecida, dando um novo ritmo, poderoso, fecundo e pesquisante, à maioria das actividades humanas. Eis na praça (...)
Enquanto Goya não veio fazê-la rutilar de novo, a Espanha setecentista, como a maioria dos países europeus desses dias, servia-se também e largamente de artistas estrangeiros. Ao mesmo tempo que arquitectos espanhóis, tantos deles de ousados planos e sólidos valimentos, laboravam em muitos territórios americanos, como veremos ao ocupar-nos do velho México, os soberanos  de Espanha preferiam os da Itália e da França. Não só os Palácios do Oriente e da Granja foram concebidos (...)